Síndrome do impostor (e como mudar isso)

Érica Cyreno · Psicóloga · CRP 03/35291 · TCC, ACT e Neuropsicologia


4/2/2026 . 2 min read

Você conquista, entrega, é reconhecida — mas ainda sente que não é suficiente? Se em algum momento você já pensou que “foi sorte” ou que alguém pode descobrir que você não é tudo isso, esse texto é para você.


Esse padrão é conhecido como síndrome do impostor (um termo do senso comum, não um diagnóstico), e costuma aparecer justamente em pessoas que têm bons resultados.


O que pode estar por trás disso?


Na prática, não é sobre falta de capacidade.


É sobre a forma como você interpreta suas próprias experiências.


Na Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC), entendemos que não são só os fatos que impactam como você se sente — mas principalmente a forma como você interpreta esses fatos.


Por exemplo:


Você recebe um elogio, mas automaticamente pensa “foi sorte” ou “estão sendo gentis”. Esse pensamento gera insegurança, e o comportamento vem na sequência: você minimiza o elogio ou sente que precisa provar ainda mais.


Com o tempo, esse ciclo vai se repetindo — e esses pensamentos deixam de parecer apenas pensamentos. Eles passam a ser sentidos como verdades.


E quanto mais você conquista, mais esse padrão pode se fortalecer, porque a régua interna também sobe.


Sinais no dia a dia


  • Alguns sinais comuns desse padrão:
  • Você subestima suas conquistas
  • Tem dificuldade em aceitar elogios sem desvalorizar
  • Sente que precisa sempre fazer mais para “compensar”
  • Tem medo desproporcional de errar
  • Vive com a sensação de que ainda não é suficiente


Muitas vezes, isso passa despercebido por anos — justamente porque por fora tudo parece estar funcionando.


Onde a TCC entra


Na TCC, o foco não é mudar seu pensamento para um pensamento positivo. É entender e reorganizar esses padrões.


Na prática, a terapia te ajuda a:


  • Identificar pensamentos automáticos (que hoje passam despercebidos)
  • Questionar a forma como você interpreta suas conquistas
  • Construir uma visão mais realista — nem inflada, nem desvalorizada
  • Reduzir a autocrítica excessiva
  • Sair da necessidade constante de provar valor


Não é que você não seja suficiente. É que você aprendeu a olhar para si dessa forma.


E isso pode ser trabalhado.


Se você se identificou com esse padrão, talvez não seja sobre fazer mais — mas sobre começar a olhar de outra forma para tudo que você já construiu.


E esse é um processo que você não precisa fazer sozinha.

Copyright ©
Érica Cyreno, Psicóloga em Salvador - BA
CRP 03/35291

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